Advogada do grupo 1143 é apoiante de André Ventura, mas desfiliou-se

A advogada associada à defesa de elementos ligados ao chamado grupo 1143 voltou a estar no centro da polémica após virem a público antigas posições políticas assumidas nas redes sociais. Em causa está o facto de ter sido, durante um período, uma apoiante declarada de André Ventura e do partido Chega, embora tenha posteriormente confirmado que já não é militante da formação política.
A ligação tornou-se tema de debate depois de circularem imagens e publicações antigas onde a advogada surge ao lado de André Ventura, acompanhadas de mensagens de apoio político e elogios ao discurso do líder partidário. Esses conteúdos, entretanto amplamente partilhados, levantaram dúvidas sobre uma eventual proximidade ideológica entre a jurista e o Chega, sobretudo tendo em conta a natureza sensível do processo em que está envolvida enquanto advogada de defesa.
Perante a controvérsia, a própria esclareceu publicamente que já se desfiliou do Chega, sublinhando que essa decisão foi tomada por iniciativa própria. Em declarações feitas nas redes sociais, afirmou que deixou de se rever em determinadas escolhas internas do partido, bem como em comportamentos e perfis de alguns candidatos, o que a levou a afastar-se formalmente da estrutura partidária.
Ainda assim, a advogada não escondeu que mantém simpatia pessoal por André Ventura, defendendo que o apoio a uma figura política não implica, necessariamente, uma ligação ativa ou militante a um partido. Segundo a mesma, trata-se de uma posição individual, exercida no plano da opinião pessoal, sem qualquer interferência no exercício da sua profissão enquanto advogada.
Este esclarecimento surge num momento em que o grupo 1143 tem sido associado a investigações criminais e a alegadas práticas de violência e discurso de ódio, o que intensificou o escrutínio público sobre todos os intervenientes ligados ao caso, incluindo advogados de defesa. Especialistas em direito recordam, no entanto, que a atividade profissional de um advogado é independente das suas convicções políticas, devendo ser avaliada exclusivamente à luz da lei e da deontologia profissional.
O caso acabou por alimentar um debate mais amplo nas redes sociais sobre os limites entre opinião política, militância partidária e exercício de funções em processos de grande sensibilidade mediática. Para alguns, as posições assumidas no passado levantam questões éticas; para outros, a desfiliação do partido e a ausência de qualquer cargo político ativo são suficientes para afastar suspeitas de interferência ideológica.
Em síntese, é factual que a advogada já manifestou apoio público a André Ventura e foi militante do Chega, mas também é verdade que confirmou a sua saída do partido, mantendo atualmente apenas uma posição de simpatia pessoal, sem vínculo formal. A situação continua, ainda assim, a gerar debate público e político, refletindo o clima de forte polarização que marca o atual panorama nacional.











