Morreu José Brandão, um dos mais influentes designers portugueses

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O designer José Brandão, um dos nomes mais relevantes do design português, faleceu conforme anunciou a Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, onde era professor emérito desde 2017.
Nascido em Nova Iorque, em 1944, Brandão iniciou a sua carreira em 1961 e rapidamente se tornou uma referência no design gráfico em Portugal. Passou pelo atelier de Daciano da Costa (1964-1966), viveu em Paris e Londres, e foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian na Ravensbourne University London. Em 1970, iniciou a sua trajetória académica como professor, lecionando em Londres, na Faculdade de Belas-Artes de Lisboa e, mais tarde, na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, onde criou o Mestrado em Design de Comunicação.
Como designer independente, José Brandão revolucionou a estética de capas de discos, livros e cartazes de filmes. Trabalhou com artistas como José Afonso, Sérgio Godinho e Fausto, desenhou capas de livros icónicos, como Os Passos em Volta, de Herberto Helder, e O Triunfo dos Porcos, de George Orwell, e assinou cartazes para filmes como Kilas, o Mau da Fita e Crónica dos Bons Malandros. Foi também fundador da Associação Portuguesa de Designers, em 1976.
Em 1982, ao lado da sua esposa, Salette Brandão, fundou o B2 Atelier de Design, responsável por projetos para a Presidência da República, os CTT, o Banco de Portugal, a EXPO’92 de Sevilha e a Fundação Calouste Gulbenkian, entre outras instituições. O seu trabalho foi amplamente premiado, destacando-se o Prémio Carreira (2001), os prémios APOM Melhor Exposição (1995) e Personalidade do Ano (2017), e a condecoração com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique (2006).
A morte de José Brandão representa uma perda irreparável para o design português. O seu contributo para a arte gráfica e o ensino do design marcou gerações e influenciou profundamente a identidade visual contemporânea em Portugal.