
O regresso de António José Seguro, dez anos depois, e a ambição de Belém
Dez anos depois de ter saído do centro da vida partidária, António José Seguro volta a colocar-se no centro do debate nacional, agora com um objetivo assumido e claro: chegar a Palácio de Belém. O antigo líder socialista apresenta-se como um candidato “moderado”, “livre” e “sem amarras”, apostando numa imagem de independência face às estruturas partidárias tradicionais e garantindo acreditar que não só chegará à segunda volta das eleições presidenciais, como sairá vencedor da primeira.
As declarações, tornadas públicas ainda em novembro, revelam uma confiança que nunca pareceu desaparecer. Para Seguro, este regresso não surge como um ato impulsivo, mas como a continuação natural de um percurso político que ficou suspenso, não encerrado. O antigo dirigente considera que o afastamento lhe permitiu ganhar distância, reflexão e uma visão mais ampla do país e dos seus desafios.
Recorde-se que António José Seguro abandonou a liderança do Partido Socialista em setembro de 2014, depois de perder as eleições primárias internas para António Costa. Esse momento marcou uma rutura significativa na sua carreira política, levando-o a afastar-se dos grandes palcos mediáticos e das disputas partidárias que dominam a vida pública nacional.
Durante a última década, manteve-se longe do confronto direto, dedicando-se sobretudo ao ensino, à reflexão política e a intervenções pontuais na esfera pública. Esse percurso mais discreto contribuiu para uma imagem de distanciamento face às lógicas de poder, algo que agora procura transformar num dos pilares centrais da sua candidatura.
Ao assumir-se como um candidato moderado e independente, Seguro tenta ocupar um espaço político que considera pouco representado: o de uma figura presidencial agregadora, capaz de dialogar com diferentes sensibilidades e de se colocar acima das clivagens partidárias. Resta saber se este regresso, dez anos depois, encontrará eco num eleitorado marcado pelo cansaço político, mas também pela desconfiança em relação a rostos do passado.
Essa opção faz parte do posicionamento pessoal que António José Seguro quer assumir publicamente. O antigo líder socialista já deixou claro que, caso avance para Belém, fará questão de manter uma vida familiar equilibrada, sublinhando que a sua mulher não irá abdicar da sua carreira profissional.
A ideia passa por separar de forma clara o exercício do cargo político da esfera pessoal, recusando que a função presidencial interfira nas escolhas profissionais da família. Para Seguro, essa normalidade é também uma mensagem política: a de que o Presidente da República não deve viver numa bolha afastada da realidade quotidiana das famílias portuguesas.











