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Seguro disse ser “a favor de toda a migração que nos procura”?

António José Seguro defendeu imigração sem limites? Declaração gera polémica

Nos últimos dias, tem circulado nas redes sociais e em vários debates online a alegação de que António José Seguro terá afirmado ser “a favor de toda a migração que nos procura”. A frase, apresentada de forma isolada, gerou críticas, partilhas massivas e reacendeu o debate sobre imigração em Portugal. No entanto, uma análise mais cuidada às intervenções públicas do antigo líder socialista mostra que a realidade é mais complexa.

Até ao momento, não existe registo de Seguro ter proferido essa frase de forma literal. O que tem sido defendido pelo político, em diferentes contextos, é uma visão assente numa imigração regulada, humanista e enquadrada pela lei, rejeitando tanto discursos de portas totalmente abertas como posições de encerramento absoluto.

Uma posição com nuances

António José Seguro tem sustentado que Portugal deve encarar a imigração como um fenómeno estrutural, que exige planeamento, regras e capacidade de integração. Nos seus discursos, o foco recai sobretudo na necessidade de:

  • garantir legalidade nos processos de entrada e permanência;
  • assegurar condições dignas de trabalho e habitação;
  • evitar a exploração laboral de imigrantes;
  • promover a integração social, em vez da marginalização;
  • reforçar a coordenação com a União Europeia.

Em nenhuma dessas intervenções é defendida a ideia de aceitar “toda” a migração sem critérios. Pelo contrário, Seguro tem alertado para os riscos de sistemas desorganizados, que acabam por prejudicar tanto os imigrantes como os países de acolhimento.

A origem da controvérsia

A polémica surge sobretudo da simplificação de discursos longos em frases curtas, muitas vezes descontextualizadas. Em ambiente de pré-campanha ou de confronto político, expressões como “acolher quem nos procura” são facilmente transformadas em slogans absolutos, perdendo o sentido original.

Este tipo de leitura rápida favorece a polarização: de um lado, quem acusa Seguro de defender imigração sem controlo; do outro, quem o apresenta como símbolo de uma política exclusivamente humanitária. Nenhuma dessas leituras corresponde totalmente ao que tem sido dito.

Imigração: entre humanidade e autoridade

A linha defendida por Seguro procura um equilíbrio entre dois princípios que frequentemente entram em choque no debate público: humanidade e autoridade do Estado. Para o antigo dirigente socialista, é possível proteger direitos humanos sem abdicar do controlo das fronteiras, desde que existam políticas públicas eficazes, fiscalização e investimento na integração.

Este posicionamento aproxima-se de uma visão moderada, comum a vários setores políticos europeus, que reconhecem a necessidade de imigração — nomeadamente em setores com falta de mão de obra — mas rejeitam fluxos desordenados e redes de tráfico humano.

Conclusão

A afirmação de que António José Seguro é “a favor de toda a migração que nos procura” não corresponde fielmente às suas declarações públicas. Trata-se de uma frase que circula fora de contexto e que simplifica uma posição mais abrangente e equilibrada.

Seguro defende imigração, sim, mas com regras, critérios e integração, afastando tanto o discurso de portas escancaradas como soluções baseadas apenas no medo. Num tema sensível como este, a forma como as palavras são usadas pode mudar completamente a perceção pública — e é precisamente aí que nasce a polémica.

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