Lili caneças explica tudo

Lili Caneças, amiga de longa data de Carlos Castro, contou que ficou preocupada quando percebeu a intensidade com que o cronista estava a viver aquela nova fase da sua vida. Os dois conheceram-se durante muitos anos nos círculos sociais portugueses e, segundo a própria, existia confiança suficiente para falar diretamente com Carlos quando considerava que algo não estava bem.
Um relacionamento que avançou rapidamente
Carlos Castro e Renato Seabra tinham-se conhecido poucos meses antes da viagem para os Estados Unidos. Na altura, Renato procurava afirmar-se no mundo da moda, depois de ter ganho maior exposição através da participação num concurso ligado à área.
A aproximação entre os dois aconteceu rapidamente. Carlos Castro não escondia junto dos amigos que estava entusiasmado com Renato e chegou a falar publicamente sobre os sentimentos que tinha pelo jovem modelo.
Foi precisamente essa rapidez que terá deixado Lili Caneças desconfortável.
Segundo as recordações agora recuperadas pela imprensa, a socialite conheceu Renato Seabra numa gala da Abraço realizada em Lisboa, no início de dezembro de 2010. Durante o evento, Carlos Castro falou da relação e revelou que pretendia viajar para Nova Iorque para passar a passagem de ano acompanhado por Renato.
Para Lili, aquela notícia terá provocado imediatamente preocupação.
Lili tentou fazê-lo reconsiderar
A socialite recorda que procurou Carlos Castro em privado e tentou fazê-lo refletir sobre aquilo que estava a acontecer. Mais do que criticar diretamente Renato Seabra, Lili pretendia, segundo o seu relato, que o amigo analisasse a situação com maior distância.
Carlos, porém, estaria convicto de que tinha encontrado alguém especial.
Lili Caneças contou que tentou questioná-lo sobre a diferença de idades e sobre as circunstâncias em que aquela aproximação tinha surgido. O cronista social, porém, acreditava que o interesse de Renato ia muito além de questões relacionadas com aparência ou carreira.
Na perspetiva de Carlos, tratava-se de uma relação verdadeira e essa convicção terá sido suficiente para manter os planos que já tinha feito.
A amiga ainda terá tentado convencê-lo a desistir da viagem para os Estados Unidos. Carlos Castro costumava participar em eventos de passagem de ano em Portugal e Lili terá sugerido que mantivesse esses planos em vez de partir para Nova Iorque.
A tentativa não resultou.
A viagem manteve-se
Carlos Castro e Renato Seabra acabariam por viajar para Nova Iorque. Nos primeiros dias, tudo terá decorrido de forma aparentemente normal, mas os elementos da investigação divulgados posteriormente indicam que a relação entre ambos se deteriorou durante a estadia.
O podcast “Os Ficheiros do Caso Carlos Castro”, produzido pelo Observador, voltou recentemente a analisar documentos ligados à investigação norte-americana e recuperou diferentes momentos da relação entre os dois, desde os primeiros encontros até aos acontecimentos ocorridos nos Estados Unidos.
Os episódios abordam também as diferenças na forma como Carlos e Renato encaravam aquela ligação. Enquanto Carlos falava abertamente sobre os sentimentos que tinha, Renato apresentava junto de pessoas próximas uma versão mais relacionada com oportunidades profissionais no mundo da moda.
Foi neste contexto que os dois partiram para Nova Iorque.
Tragédia marcou o início de 2011
No dia 7 de janeiro de 2011, Carlos Castro foi encontrado morto num quarto de hotel em Nova Iorque. Renato Seabra viria a ser detido, julgado e condenado pela justiça norte-americana pelo homicídio.
O caso provocou enorme impacto em Portugal e recebeu também cobertura internacional, tanto pela violência do crime como pela notoriedade de Carlos Castro.
Desde então, muitos amigos e pessoas que acompanharam o cronista social têm recordado momentos anteriores à viagem e procurado perceber se existiam sinais que, na altura, poderiam ter sido interpretados de forma diferente.
Para Lili Caneças, aquela conversa ocorrida semanas antes da tragédia ficou inevitavelmente marcada pela forma como tudo terminou.
Uma conversa que ganhou outro peso com o passar dos anos
É importante distinguir aquilo que Lili sentiu naquele momento daquilo que apenas se tornou conhecido posteriormente através da investigação. O relato da socialite representa a sua memória e a sua interpretação pessoal dos acontecimentos, não significando que fosse possível antecipar o crime que acabaria por acontecer.
No entanto, depois da tragédia, as palavras trocadas entre os dois amigos ganharam um significado completamente diferente.
Lili Caneças tem recordado ao longo dos anos a relação próxima que mantinha com Carlos Castro e não esconde que ficou profundamente marcada pela sua morte.
Mais de década e meia depois, o caso continua a gerar interesse, sobretudo com a divulgação de novos documentos, testemunhos e conteúdos que recuperam os últimos meses da vida do cronista.
E aquela conversa entre Lili e Carlos, que na altura poderia ter parecido apenas uma advertência de uma amiga preocupada, permanece hoje como uma das memórias mais inquietantes dos dias que antecederam a viagem para Nova Iorque.



